A personalidade é uma construção evolutiva. Freud utiliza uma abordagem estruturalista, fundamentada sobre uma lógica formal através da interligação entre os elementos.

Antes de Charcot, qualquer perturbação mental estava supostamente ligada a problema lesional. Inaugura-se, então, a idéia de que o psiquismo possui certa autonomia com relação ao organismo.

Freud estudou as idéias trabalhadas por Nietzsche – o ser humano precisa ser forte, dominante, realizar-se sem freio moral, deve guerrear a existência. Nietzsche criticava o Cristianismmo e considerava a filosofia grega falha até o final da era pré-socrática. Freud organizou reuniões às quartas-feiras para estudar Nietzsche, que também se interessou pelo inconsciente. Freud foi quem cientificou o aparelho psíquico.

A primeira teoria do aparelho psíquico foi a biológica, com uma concepção anatomo-fisiológica. Trabalha com duas fontes de energia segundo o princípio da constância: a excitação externa e a interna. A excitação produz um aumento de tensão, identificada como desprazer, o que acarreta uma descarga energética fazendo com que a tensão diminua, o que é sentido como prazer. A excitação externa não é do campo da investigação psicanalítica. A Psicanálise foca na excitação interna. A  ênfase é a história individual do sujeito; e é uma das raras linhas da psicologia que se preocupa com a estrutura da personalidade ou aparelho psíquico.

Essa primeira descrição representa uma tentativa que reduz o funcionamento do aparelho psíquico a um sistema mecânico de neurônios. Como uma máquina mental.

Já a primeira teoria psicológica foi a de uma concepção topológica: consciente, pré-consciente e inconsciente – que trabalha o espaço virtual, metafórico . Com essa concepção, situa-se maior quantidade de fenômenos, mas conservando alguns princípios da teoria biológica.

O pré-consciente é um sistema situado entre o consciente e o inconsciente. Do primeiro ao segundo existiria a “censura”, impedindo que certos conteúdos presentes no inconsciente,fiquem livres ao acesso sem que haja preparação para aceitar esse material ainda. Esta censura é responsável pelo recalcamento.  O pré-consciente é formado por atos psíquicos que tiveram a passagem liberada do inconsciente, os traços mnêmicos. Caracteriza-se pelo pensamento racional lógico, pelo esquema referencial da realidade, memória, moralidade, dá a noção do bem e do mal, energia ligada aos conteúdos psíquicos pelo código representacional – a linguagem, o controle motor. Pelo princípio de realidade, o processo secundário, o qual adia a satisfação do desejo conforme coordenadas espaço-temporais, o pré-consciente constitui-se, a exemplo do inconsciente, em um sistema  no qual podemos distinguir um conteúdo e um processo que regem o seu funcionamento. Isso é possível através do contra-investimento e o desinvestimento.

O consciente é formado por atos psíquicos focalizados momentaneamente. Caracteriza-se pela atenção, repressão, pensamento racional e recepção das excitações externas e internas. As demais funções são iguais às do pré-consciente excluindo o recalcamento. É como se esse sistema se situasse na periferia do aparelho psíquico. Sua função principal consiste na recepção de excitações  externas ou  internas. Entretanto, ao contrário do que ocorre no pré-consciente, bem como no inconsciente, o consciente não  marca nenhuma excitação. A censura que separa o consciente do pré-consciente é simplesmente “funcional”, deixa passar os elementos psíquicos pré-conscientes que interessam à consciência num dado momento.

O inconsciente não é uma negação do consciente, mas  outra cena(escondida) da personalidade. Esse território inconsciente é ativo, organizado por leis e princípios que lhe são próprios. O conteúdo do inconsciente consiste, pois, em impulsos carregados de desejo. Outro aspecto é um modo de funcionamento que o torna organizado. O inconsciente apresenta características que não são encontradas em nenhum outro sistema, como o desconhecimento da negação(não e sim aí não faz diferença), é regulado pelo princípio do prazer, dispensa qualquer referência à realidade, seus processos são atemporais, é estruturado por relações de semelhança e contigüidade, através dos mecanismos de deslocamento(uma idéia liga-se a outra sem precisar de lógica ou qualquer regra da linguagem) e condensação(vários conteúdos podem aparecer misturados e simultaneamente, por exemplo).

A descoberta do inconsciente por Freud foi através da clínica pioneira de Breuer e com experiências de sugestão pós-hipnótica de Bernheim. A ordem dada ao paciente submetido à hipnose faz parte de um processo que este não percebe, é subjacente à sua consciência e, no caso específico, é dominante sobre a consciência.

(continua…)

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Introdução Histórica

Sigmund Freud

Sigmund Freud

Freud nasceu em 1856 na cidade de Freiberg, na Moravia. No fim de sua adolescência, estava em dúvida entre estudar Direito ou Biologia. Acabou optando pela Biologia.

Somente após seis anos de curso universitário Freud inseriu-se no campo da Medicina. Em 1885, ganhou uma bolsa de estudos e foi estudar com Charcot, célebre médico de Paris envolvido no estudo sobre a histeria, a hipnose e os efeitos da sugestão. Depois de um ano em Paris, Freud retorna a Viena e apresenta um trabalho expondo sua aprendizagem com Charcot. Suas idéias foram muito criticadas e rejeitadas no meio médico, por ser a hipnose uma técnica que não obedecia aos critérios científicos da época.

Através do tão conhecido caso de Anna O., Freud descobriu a importância do método catártico para a eliminação dos sintomas neuróticos que perturbavam os pacientes. Freud percebeu que quando a paciente conseguia colocar para fora todos os pensamentos repudiados socialmente e que a incomodavam, através da fala, sentia-se aliviada e livre de uma pesada carga de material reprimido.

É impossível examinar todos os pontos relevantes da vida pessoal e intelectual de Freud, porém podemos destacar alguns:

• os primeiros anos como estudante de Medicina e pesquisador;

• a inflluência decisiva do grande psicólogo alemão Ernst Brucke, com quem aprendeu a considerar o homem como um sistema dinâmico sujeito às leis da Natureza;

• seu casamento com Martha Bernays e a sua dedicação a ela e aos seis filhos, um dos quais, Ana, seguiu a vocação do pai;

• o ano de estimulantes estudos com Charcot;

• suas relações bizarras com Fliess, importante depositário da transferência de Freud para que se tornasse possível sua auto-análise, que começou na década de 1890 e durou toda a existência;

• a tentativa frustrada de interpretar os fenômenos psicológicos em relação à anatomia cerebral;

• os anos de isolamento da comunidade médica de Viena;

• o convite de Stanley Hall para discursar na reunião comemorativa da fundação da universidade Clark;

• a fundação da Associação Internacional de Psicanálise;

• o afastamento de importantes discípulos como Jung, Adler, Rank e Stekel;

• a influência da Primeira Guerra Mundial sobre o desenvolvimento de seu pensamento e a revisão completa dos princípios básicos da teoria psicanalítica;

• a aplicação dos conceitos psicanalíticos a todos os campos da cultura humana;

• as características pessoais de Freud e o longo tormento produzido pelo câncer na boca;

• sua fuga dos nazistas, graças à insistência de Maria Bonaparte(sobrinha de Napoleão Bonaparte), para London.

(continua…)