janvier 2009


 

 

Comer, dormir, exceler

Preparado para morrer

Azar, depois, que seja

 

Estica rede benfazeja

Anos, anos, anos,década

Lá no início uma quebra

 

Não ficou quem iria dizer

Isso ou aquilo outro há a fazer

Depois quem foi o tal

 

A garantir rígidas regras

Sob mudos movimentos

Excluindo meus tormentos?

O narcisismo é da ordem do imaginário, do sem limites. O conceito de narcisismo introduzido por Freud tem uma conseqüência profunda: uma série de conceitos, tais como ego, defesa do ego, ideal do ego, “agente crítico observador”, etc., serão colocados em gravitação em torno da questão de narcisismo.O narcisismo primário é um processo normal, necessário, que ocorre num determinado momento do curso regular do desenvolvimento libidinal. Esse momento é situado por Freud entre o auto-erotismo e o amor objetal. Somente quando o ego se desenvolve, o indivíduo se torna narcisista. Esta primeira manifestação do narcisismo – denominada de narcisismo primário – é abandonada quando a criança, na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor, volta-se finalmente, para um objeto exterior, desenvolvendo o que se chama de amor objetal.

Compreende-se então, que o narcisismo primário esteja em oposição ao amor objetal, pois somente quando ele termina o sujeito encontra-se em posição de fazer escolhas objetais. Dessa maneira, a superação do narcisismo primário coincide com a realização do desenvolvimento psícossexual. Entretanto, mesmo após uma escolha objetal ter sido feita, o indivíduo pode retornar a um estado narcisista. Esta volta acidental ao narcisismo original, num momento da vida em que se suporia estar ele definitivamente abandonado, foi denominado narcisismo secundário. O estudo do narcisismo secundário e suas produções patalógicas correlatas levou Freud a examinar, de maneira mais precisa, mecanismo da escolha objetal. Ele distingue, então, dois tipos de escolha – anaclítica e a narcisista.

Para Freud, o amor objetal de tipo narcisista é mais característico do sexo feminino. O narcisismo, manifestando-se poderosamente, inflexiona a escolha objetal em direção ao tipo narcisista. Em síntese, o tipo narcisista procura no outro sua própria imagem, ao passo que o tipo anaclítico procura um parceiro do tipo narcisista que o faz gozar de um narcisismo a que ele mesmo já renunciou.

O aparelho psíquico é estruturado, primeiramente, em três instâncias distintas: o inconsciente, o pré-consciente e o consciente. Entretanto,elas não constituem o único modelo psicanalítico construído com o intuito de compreender a noção de personalidade. Sem, portanto, abandonar a primeira descrição, mais tarde Freud construiu outro modelo, passando a trabalhar com as noções de id, ego e superego com a segunda teoria das pulsões.

O id é o reservatório de energia do indivíduo, ou seja, das pulsões e de tudo o que foi recalcado. É constituído por impulsos instintivos inatos, os quais motivam as relações do indivíduo com o mundo. É o responsável pelo processo primário, mecanismo de gerar imagens correspondentes às pulsões. Diante à manifestação de um desejo, forma, no plano do imaginário. o objeto que permitirá sua satisfação. Um desejo corresponde a uma carência que ,ao ser satisfeita, gerará prazer.

O id funciona pelo princípio do prazer. Busca a satisfação imediata das suas necessidades. O processo primário é sua tentativa alucinatória da satisfação imediata. As interdições virão do ego e do superego, pois o id sempre manterá o desejo de querer, e de querer a qualquer preço.

Inexiste o princípio da  contradição. Como não é dimensionado pela realidade, podem estar presentes desejos ou fantasias mutuamente excludentes dentro da lógica. Á medida que o a  contradição inexiste, toda as coisas são possíveis para do id.

É atemporal, existe a elaboração de uma dimensão única, vivida como presente. Quando sonhamos acordados transformamos em realizações presentes os desejos como perspectivas de realizações futuras.

Não é verbal. Funciona pela produção de imagens. Temos utilizado os sonhos para exemplifica-lo. Mas quando nos recordamos de um sonho, já efetuamos uma elaboração secundária sobre ele, ou seja, já o colocamos no domínio da linguagem.

Funciona basicamente pelos processos de deslocamento e condensação,  processos básicos do inconsciente. Na condensação, agrupamos, dentro de uma imagem características pertencentes a vários processos inconscientes. No deslocamento, as características de uma imagem são transferidas para outra, com a qual o sujeito estabelece relações como se fosse a primeira. O primeiro processo é mitológico; e o segundo, tirado dos casos clínicos de Freud.