Fiz a redação desta prova de vestibular por fazer:

http://www.cpv.com.br/cpv_vestibulandos/info_ufscar/2009_dezembro/provas/Mat_LI_LP_Red.pdf

Destaco no fim da proposta no texto 3:

« Bento XVI:

A exclusão do trabalho por muito tempo ou então uma prolongada dependência da assistência pública ou privada corroem a liberdade e a criatividade da pessoa e as suas relações familiares e sociais, causando enormes sofrimentos psicológicos e espirituais. »

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Fiz, ainda que sofrendo a dor de tocar na minha ferida existencial mais inflamada:

* deu mais de 30 linhas mas fiquei com preguiça de diminuir, afinal estou só brincando com fogo mesmo…

A questão do trabalho no mundo atual

O tema do trabalho desde suas origens até a concepção considerada na atualidade envolve uma ampla gama de possíveis reflexões e considerações. Sabe-se que, como quase todas as descobertas e invenções humanas tiveram inicialmente as melhores intenções, as quais, com o decorrer do tempo e conseqüentes distorções ideológicas, o trabalho também sofreu um processo de nascimento promissor e utilitário para o individual e o coletivo até surgirem tentações sofísticas e acomodatícias oriundas da cultura do “quanto mais esperto melhor” e sua sutil demanda “ganhe o máximo fazendo o mínimo”.

O homem sempre se questionou sobre seu potencial, do virtual ao concreto, e suas necessidades de avançar em conhecimentos cada vez mais visando à evolução e tentando ultrapassar seus limites. Desde o início do que se sabe sobre a humanidade, há sempre uma alusão à questão do trabalho, com os primeiros conhecimentos gregos e a mitologia dizendo ser Atenas a potência da técnica (‘techné’ e ‘métis’) e Hefaísto seria o inventor do trabalho pelo fogo como complemento à potência de Atenas. O mito de Prometeu representou o intermédio e transferência do pertencimento da invenção das técnicas dos deuses para o homem, endossado por Dédalo mais tarde. Contudo a história deixa buracos, dúvidas e paradoxos, com diversas versões muitas destas contraditórias.

Importante destacar é a inerente busca eterna do ser humano pela criação pragmática, aperfeiçoamento com vistas à utilidade para o coletivo, das primeiras comunidades às sociedades contemporâneas. Do mesmo modo que não há como saber tudo sobre a verdadeira origem e a história mais correta, outro tipo de buraco também foi criado concomitantemente a todo o processo. Na maioria das vezes, os motivos encontram-se na vaidade humana e posterior supervalorização do individualismo em detrimento do coletivo, acarretando fins cujos meios recorridos pelo homem feriram os ideais altruístas, éticos e morais.

A ambição, outro fator indispensável a considerar, operou negativamente a partir da Revolução Industrial e a tentativa de quase “mecanizar” o trabalho humano objetivando maior rendimento, produção em massa e lucro. O filme “Tempos Modernos” com Chaplin apertando parafusos e sendo “usado” pela máquina mostra claramente um destes buracos que o processo criou junto ao desenvolvimento do conhecimento e da criação. Com os trabalhadores colocados a fazer um único serviço repetitivo e alienante, perdia-se a noção do todo daquilo para o que o homem estava laborando e, junto, a motivação, saúde e conseqüente sofrimento, sobrecarga e descontentamento da massa de trabalhadores. Livros como “Germinal” de Zola e “Os Miseráveis” são obras geniais que ilustram bem esses acontecimentos.

Assim, talvez a questão não seja temer como alguns já fazem que a máquina chegue a substituir o homem no trabalho. Seria mesmo preciso estar sempre repensando todo o processo a fim de consertar as lacunas que o estragam e propiciar reflexões positivas na luta pelo progresso equilibrado ao limite da Natureza, do homem e da ciência. Nada é perfeito, porém tudo é passível de mudanças o tempo todo. Há de se pensar em como dirigir as transformações de maneira mais construtiva para que o caos possa originar inovações criativas com sua inerente força e refletir sempre na organização e reorganização do trabalho, seu uso, custos e benefícios.


Tania Montandon

O ser humano é um ser de necessidade. Nesta direção o comportamento humano é pautado pela satisfação dessas necessidades durante as fases do seu desenvolvimento. As necessidades humanas não são naturais, precisam ser criadas, inventadas pelo homem.

Considerando que nenhum comportamento humano é carente de justificativa, é tarefa dos estudiosos da Psicologia da motivação estudar os motivos, os instintos intrínsecos ao homem que o levam a agir, a se comportar de determinada maneira e não de outra. A teoria da motivação visa mapear os motivos humanos, tentando explicitar o comportamento observado numa forma de linguagem inteligível no campo real do homem, através da escrita. Como o ser humano possui tanto a capacidade de construir como a de destruir, é muito importante para ele entender um pouco os instintos que o levam a destruir, impedindo a continuidade do processo de construção de sua vida. Não há como conhecer todas as explicações possíveis, pois o homem pode sempre inventar uma nova explicação. No entanto, conhecendo-se cada vez mais elementos que explicam o comportamento humano, pode-se ter uma maior amplitude de possibilidades que ajudem o homem a conciliar seus
desejos internos com os limites que o meio externo lhe impõe, conciliando seus interesses sem desrespeitar os interesses dos demais seres humanos. Assim, o ser humano pode ter uma vida psíquica mais saudável, à medida que toma consciência de seus instintos inconscientes.

Ao construir sua teoria da motivação, Maslow baseou-se no espírito do seu tempo – Zeitgeist. O espírito do tempo de Maslow é o espírito que reina na sociedade moderna do século XX e XXI. É  o espírito que busca o progresso da ciência, quer explicar o extraordinário, quer saber sobre o futuro, não se conforma em não conseguir achar explicação para alguma coisa. Valoriza o novo e desconsidera o conhecido e habitual. Valoriza o futuro e desprestigia o passado, a tradição. Mas só se é possível partir para o extraordinário passando-se pelo ordinário. A tecnologia só tem valor humano se for utilizada para o bem da vida e da natureza. A vida é um dom que não pode ser explicado completamente. Os homens podem explanar seus comportamentos, porém não a vida. Maslow observou que para que as pessoas sintam a necessidade de preservar a vida e a qualidade de vida, melhorando suas condições, elas precisariam ter suas necessidades básicas satisfeitas, que são aquelas cuja falta causa doença, a sua presença evita doença e a sua restauração mantém a pessoa sadia física e mentalmente. As pessoas precisam estar bem alimentadas, ter uma moradia adequada, ser aceitas em seu habitat, sentirem-se amadas e úteis para que possam se auto-realizar e pensar em crescimento. A pessoa necessita ter bem-estar para que possa pensar no bem-estar das outras.

O ser humano possui uma capacidade de se comunicar exclusiva, que é a linguagem. Esta pode ser realizada no campo imaginário, no campo simbólico e no campo real. O ser humano possui necessidade de se comunicar com os demais através da linguagem à medida que está sempre tentando se superar. É um processo característico do homem e imprescindível à ética de viver bem, que visa preservar a vida e a qualidade de vida. Todavia isso só é possível quando as necessidades básicas fisiológicas, de segurança, de aceitação social, de auto-estima e de se sentir amado estiverem satisfeitas. Assim, as motivações para o crescimento e melhoria das condições de vida são essenciais ao desenvolvimento humano para que as pulsões de vida da humanidade não se deixem superar pelas pulsões de morte. Cada sujeito não pode pensar somente em seus interesses, desconsiderando radicalmente os interesses dos outros, porque querendo ou não cada um precisa das outras pessoas e o bem-estar futuro da humanidade depende que as pessoas aprendam a canalizar o amor para a vida e o ódio para o que for prejudicial à vida, pois todos possuem amor e ódio para oferecer.

Opinião:

Mas o que queria ressaltar com o texto e é a parte que mais me marcou da teoria de Maslow é a questão de que ,pra ter a motivação, as necessidades básicas precisam estar ao menos perto do nível satisfatório. Até pra que uma pulsão de morte motive o sujeito, que acho ser melhor que nenhumma motivação, pois a pusão de morte pode ser muito útil pra sobrevivência e principalmente pela luta por viver, além do sobreviver. É preciso a agressividade(como Lacan gostava mais dessa palavra q eu entendo como bem parecida com pulsão de morte) pra se livrar do que faz mal ao sujeito, nesse sentido é uma pulsão de morte direcionada pro que mata a vida(viajando).

Considerando não a minha condição privilegiada de sempre ter pelo menos comida, bebida, casa, cama, estudo(um mínimo) mas a condição da população tanto do país quanto do mundo, creio que bilhões não têm condições de pensar no que motiva ou não nem de viver de fato, ficando na triste luta do instinto natural de sobrevivência, respondendo com violencia de reflexo por não ter condição de pensar antes de agir, não ter estudo nutrição e uma história marcada de cenas violentas somente. Penso que mais ainda importante que saber o que motiva é ter condições humanas no sentido real desta palavra de ter motivação que não seja quase selvagem.