psicologia social


Jornal O Rebate – 78 anos fazendo história!

viaQuanto à violência, o que pode fazer a ciência?.

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Fiz a redação desta prova de vestibular por fazer:

http://www.cpv.com.br/cpv_vestibulandos/info_ufscar/2009_dezembro/provas/Mat_LI_LP_Red.pdf

Destaco no fim da proposta no texto 3:

« Bento XVI:

A exclusão do trabalho por muito tempo ou então uma prolongada dependência da assistência pública ou privada corroem a liberdade e a criatividade da pessoa e as suas relações familiares e sociais, causando enormes sofrimentos psicológicos e espirituais. »

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Fiz, ainda que sofrendo a dor de tocar na minha ferida existencial mais inflamada:

* deu mais de 30 linhas mas fiquei com preguiça de diminuir, afinal estou só brincando com fogo mesmo…

A questão do trabalho no mundo atual

O tema do trabalho desde suas origens até a concepção considerada na atualidade envolve uma ampla gama de possíveis reflexões e considerações. Sabe-se que, como quase todas as descobertas e invenções humanas tiveram inicialmente as melhores intenções, as quais, com o decorrer do tempo e conseqüentes distorções ideológicas, o trabalho também sofreu um processo de nascimento promissor e utilitário para o individual e o coletivo até surgirem tentações sofísticas e acomodatícias oriundas da cultura do “quanto mais esperto melhor” e sua sutil demanda “ganhe o máximo fazendo o mínimo”.

O homem sempre se questionou sobre seu potencial, do virtual ao concreto, e suas necessidades de avançar em conhecimentos cada vez mais visando à evolução e tentando ultrapassar seus limites. Desde o início do que se sabe sobre a humanidade, há sempre uma alusão à questão do trabalho, com os primeiros conhecimentos gregos e a mitologia dizendo ser Atenas a potência da técnica (‘techné’ e ‘métis’) e Hefaísto seria o inventor do trabalho pelo fogo como complemento à potência de Atenas. O mito de Prometeu representou o intermédio e transferência do pertencimento da invenção das técnicas dos deuses para o homem, endossado por Dédalo mais tarde. Contudo a história deixa buracos, dúvidas e paradoxos, com diversas versões muitas destas contraditórias.

Importante destacar é a inerente busca eterna do ser humano pela criação pragmática, aperfeiçoamento com vistas à utilidade para o coletivo, das primeiras comunidades às sociedades contemporâneas. Do mesmo modo que não há como saber tudo sobre a verdadeira origem e a história mais correta, outro tipo de buraco também foi criado concomitantemente a todo o processo. Na maioria das vezes, os motivos encontram-se na vaidade humana e posterior supervalorização do individualismo em detrimento do coletivo, acarretando fins cujos meios recorridos pelo homem feriram os ideais altruístas, éticos e morais.

A ambição, outro fator indispensável a considerar, operou negativamente a partir da Revolução Industrial e a tentativa de quase “mecanizar” o trabalho humano objetivando maior rendimento, produção em massa e lucro. O filme “Tempos Modernos” com Chaplin apertando parafusos e sendo “usado” pela máquina mostra claramente um destes buracos que o processo criou junto ao desenvolvimento do conhecimento e da criação. Com os trabalhadores colocados a fazer um único serviço repetitivo e alienante, perdia-se a noção do todo daquilo para o que o homem estava laborando e, junto, a motivação, saúde e conseqüente sofrimento, sobrecarga e descontentamento da massa de trabalhadores. Livros como “Germinal” de Zola e “Os Miseráveis” são obras geniais que ilustram bem esses acontecimentos.

Assim, talvez a questão não seja temer como alguns já fazem que a máquina chegue a substituir o homem no trabalho. Seria mesmo preciso estar sempre repensando todo o processo a fim de consertar as lacunas que o estragam e propiciar reflexões positivas na luta pelo progresso equilibrado ao limite da Natureza, do homem e da ciência. Nada é perfeito, porém tudo é passível de mudanças o tempo todo. Há de se pensar em como dirigir as transformações de maneira mais construtiva para que o caos possa originar inovações criativas com sua inerente força e refletir sempre na organização e reorganização do trabalho, seu uso, custos e benefícios.


Tania Montandon

adler

Alfred Adler nasceu de uma família de classe média em Viena, em 1870, e morreu na Escócia em 1937. Foi um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica de Viena e depois seu presidente. Não demorou muito para que começasse a desenvolver idéias que divergissem das de Freud. Formou, então, seu próprio grupo, denominando-o grupo do sistema holístico da psicologia individual.

A abordagem criada por Adler compreende as pessoas como sendo totalidades integradas dentro de um sistema social. Sustenta a motivação do homem como sendo fundamentada pelas solicitações sociais. Para Adler, o homem procura contato com os outros, empreende atividades sociais em cooperação, põe o bem-estar social acima do interesse próprio, adquirindo um estilo de vida que é, predominantemente, orientado para o meio externo.

Adler manifesta uma preocupação biológica, tanto quanto Freud e Jung. Freud enfatiza o sexo, Jung os padrões primitivos de pensamento e  Adler o interesse social.

Adler cria alguns conceitos muito importantes para a psicologia da personalidade:

Selfcorresponde a um sistema altamente personalizado e subjetivo que interpreta e tornam significativas as experiências do organismo. É criador, unitário, consistente e soberano na estrutura da personalidade.

É algo que intervém entre os estímulos que agem sobre a pessoa e as respostas que ela oferece. O homem constrói  sua personalidade com a matéria-prima da hereditariedade e da sua experiência. O self criador dá sentido à vida; cria tanto o ideal como os meios de atingi-lo. É o princípio ativo da vida humana.

Estilo de vidacorresponde ao princípio do sistema pelo qual a personalidade funciona; é o todo que comanda as partes. É o princípio que explica a singularidade da pessoa. Cada pessoa tem um estilo de vida e não há dois iguais.

Todos têm o mesmo objetivo, a superioridade, mas há inúmeras maneiras de atingi-lo. Toda conduta de uma pessoa tem origem em seu estilo de vida. Este forma-se na infância, por volta dos quatro anos de idade e, daí por diante, as experiências são assinaladas e utilizadas de acordo com ele. É uma compensação para determinada inferioridade.

Luta pela superioridade corresponde ao objetivo superior do homem na sua luta contra os obstáculos: ser agressivo, poderoso superior.

“Superioridade é algo análogo ao conceito de self em Jung, ou ao princípio de auto-realização de Goldstein. É um esforço da personalidade no sentido de completar-se. É ‘a força que arrasta para cima.’” (Hall & Lindzey)

Todas as funções do homem seguem a direção da luta pela superioridade, que é inata, é um princípio dinâmico preponderante – uma luta pela plena realização de si mesmo.

Inferioridade e compensaçãohá a inferioridade orgânica, pois, para Adler, cada região do corpo apresenta uma inferioridade básica, inferioridade essa que existe em virtude de herança ou de alguma anomalia do desenvolvimento.

Depois Adler ampliou o conceito, incluindo quaisquer sentimentos de inferioridade, tanto os que decorrem de incapacidades psicológicas ou sociais sentidas subjetivamente, como os que se originam de fraqueza ou deficiência física.

No princípio, Adler correlacionava a inferioridade com feminilidade, cuja compensação ele chamou de “protesto masculino”. Os sentimentos de inferioridade decorrem de um senso de imperfeição em alguma esfera da vida. Adler afirmava que os sentimentos de inferioridade não são indícios de anormalidade; são a causa de todo melhoramento na vida humana.

Sob condições normais o sentimento de inferioridade ou um senso de imperfeição é a grande mola propulsora da humanidade. O homem é impulsionado pela necessidade de superar sua inferioridade e arrastado pelo desejo de ser superior.

Interesse socialcorresponde à verdadeira e inevitável compensação pela natural fraqueza dos seres humanos. É quando a luta pela superioridade torna-se socializada.

Adler acreditava que o interesse social é inato; que o homem é uma criatura social por natureza e não por hábito. Contudo, à semelhança de qualquer outra aptidão natural, esta predisposição inata não surge espontaneamente. Ela torna-se atuante quando orientada e treinada.

É esse interesse social inato que motiva o homem a subordinar o interesse pessoal ao bem-estar comum.

Finalismo de ficção Adler descobriu a idéia de que o homem é motivado mais pelas expectativas do futuro do que por suas experiências do passado. Esses objetivos de ficção eram, para Adler, a causa subjetiva dos acontecimentos psicológicos.

Adler identificou a teoria de Freud com o princípio da causalidade e sua própria teoria com o princípio do finalismo.

“Só o objetivo final pode explicar   a   conduta humana.” (Adler, 1930)

Esse objetivo final pode ser uma ficção, isto é, um ideal impossível de realizar-se mas que é, não obstante, um estímulo real para o esforço humano e para a explanação última de sua conduta. Adler acreditava, contudo, que a pessoa podia libertar-se da influência dessas ficções e enfrentar a realidade quando necessário, o que o neurótico é incapaz de fazer.

Conclusão

Adler interessou-se, especialmente, pelas espécies de influências que predispõem a criança para um defeituoso estilo de vida. Descobriu alguns fatores importantes, como as crianças com inferioridades, as crianças mimadas, as crianças rejeitadas.

As crianças com enfermidades físicas e mentais sofrem muito e têm tendência a se sentir deficientes face às solicitações da vida. Em geral, consideram-se fracassadas. Se, porém, tiverem pais compreensivos e encorajadores, poderiam compensar suas inferioridades e transformar sua fraqueza em força.

Muitos homens famosos começaram a vida com deficiências orgânicas, que depois superaram. Constantemente, e com veemência, Adler levantou sua voz contra os males da superproteção; pois, para ele, esse é o maior castigo que se pode impor à uma criança.

As crianças superprotegidas não conseguem desenvolver sentimentos sociais; tornam-se déspotas, à espera de que a sociedade se conforme com seus desejos egoístas. Adler considerava  isso danoso à sociedade.

A rejeição também produz conseqüências desastrosas nas crianças. Maltratadas na infância, tornam-se adultas inimigas da sociedade. Seu estilo de vida é dominado pela necessidade de vingança.

Essas condições – enfermidade orgânica, superproteção e rejeição  – produzem concepções errôneas sobre o mundo, resultando num estilo patológico de vida.

Bibliografia

–          REIS, MAGALHÂES, GONÇALVES – Alfred Adler e a  psicologia individual, cap.3 In: Teorias da Personalidade, ed. Pedagógica e universitária ltda., São Paulo, 1984.

–          HALL, LINDZEY – Teorias culturalistas: Adler, Fromm, Horney e Sullivan, cap.4 In: Teorias da personalidade, ed. Pedagógica e universitária ltda., São Paulo, 1973.

Análise crítica do texto:

« Sem dinheiro não há salvação: ancorando o bem e o mal entre Neopentecostais »

In: Textos em representações sociais, cap.6, pág.191-223 de P. A. Guareschi

O texto trata de estudos objetivando analisar os significados atribuídos ao dinheiro arrecadado de diversas formas – dízimos, coletas, contribuições…  – das pessoas integradas ao Pentecostalismo.

Critica a excessiva exploração e enganação sutil recoberta com certa lábia de linguagem persuasiva sobre a população. O principal instrumento de dominação usado é a ideologia massificante, conseguindo com bastante êxito fazer com que as pessoas pensem estar fazendo a coisa mais correta enquanto doam uma considerável parte de sua renda e sacrificam a vida de sua família, até mesmo nos aspectos de nutrição; e ainda com a convicção de que o fazem por vontade própria e se não o fizessem estariam compactuando com o Diabo.

Para melhor compreensão do fenômeno, o autor explicita alguns conceitos relevantes. O conceito de Representação Social(RS) foi criado por Moscovici, pois este achava que os conceitos de representações coletivas existentes eram muito estáticos e descritivos e não abordavam satisfatoriamente a dimensão histórico-crítica. Moscovici enfoca uma compreensão da realidade abrangendo as dimensões físicas, sócio-culturais, cognitiva, comunicacional e mental, além da dimensão objetiva e subjetiva.

Para Moscovici, a Psicologia Social possui como tarefa o estudo da ideologia e da comunicação. O conceito de ideologia é essencial para se entender as dimensões éticas, valorativas e críticas da condição humana. Estas, por sua vez, não se podem separar das ações, estando, pois, presentes na estrutura das RS.

As RS (representações sociais) são sempre ideológicas. Consistem num processo de classificar e nomear o que existe organicamente mas não está ainda ordenado categoricamente. As RS formam um conhecimento da realidade acessível a todo o conjunto social que participa de uma realidade comum, incluindo a cultura, valores, pensamentos…

Os templos pentecostais utilizam as RS para extorquir o dinheiro de seus frequentadores. Usam, por exemplo, as idéias do sistema capitalista para instituírem um « mercado divino » com negociações irrecusáveis entre fé, a paz eterna e, é claro, « dindin ». Os discursos magnetizantes acabam convencendo as pessoas a aliviarem seus blosos dessa praga responsável pelo mal e mesquinharia da humanidade – a moeda.

Essa abuso ideológico não consegue tapar a ridicularidad quando apela para frases do tipo: « Você não pode ganhar nada de graça, nem de Deus; para se conseguir uma graça, é preciso pagar. » E sem chance de pagamento simbólico ou substitutivo. Precisa ser grana e em espécie. « Se pagamos a um médico, o aluguel, por que não pagar a quem cura nossos males espirituais? » Alguém poderia responder: « Porque não tenho como pagar. » Mas certamente essa não seria uma resposta aceitável.

Afinal, onde estão os direitos do consumidor de Deus? Já uma velha piada dizia: « O caminho para o reino de Deus é Jesus. Eu sou o pedágio. » – declarou o Presidente da Igreja Universal do Reino de Deus.

Portanto, ter esperanças e crença em um mundo mais justo e melhor é por certo uma virtude e o começo para que belos sonhos se concretizem. Integrar-se em uma comunidade, com participação efetiva e envolvimento pessoal, frequentar uma religião e apostar em seus princípios são atitudes dignas de cidadãos humanos, potencialmente dotados e ativos. Porém, nada é bom quando se deixa cair no conformismo, na distorção de idéias originalmente bem intencionadas e no abuso do fantástico mistério que ronda a vida humana. Este enaltece a grande Natureza e deixa dúvidas que não foram criadas para serem solucionadas, mas usufruídas com humildade, alegria e benevolência. O abuso desse mistério para tomar posses alheias por seres infelizes e infinitamente insatisfeitos é que denigre imagens santas, acarreta problemas e mais problemas. É necessário se envolver, agir conscientemente e refletir com a mente aberta para não ficar como zumbi frente a dominação maliciosa.

por: Tania Montandon

Estado de consciência é a disposição altamente desenvolvida que o ser humano possui, pela qual torna-se possível tomar, em relação ao mundo e aos estados interiores, subjetivos, aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração. Através da consciência, o homem toma conhecimento da sua própria atividade psíquica e é capaz de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados.

Em uma pessoa normal, os impulsos nervosos são convertidos em neurotransmissores, como a dopamina, e liberados nos espaços sinápticos. E uma vez passada a informação, a substância é recapturada. Na presença de algumas substâncias químicas, esse mecanismo encontra-se alterado.

O crack é uma droga, subproduto da cocaína, geralmente fumado em cachimbos de fabricação caseira, de uso simples e preço, no início, baixo. Possui um alto poder destruidor, seu efeito chega ao cérebro em oito segundos, vicia à primeira tragada, escraviza o seu usuário e o mata de forma fulminante.
A droga é queimada e sua fumaça aspirada passa pelos alvéolos pulmonares. Cai na circulação sanguínea e atinge o cérebro. No sistema nervoso central, o crack subverte o mecanismo natural de recaptação da substância dopamina nas fendas sinápticas. Bloqueado esse processo, ocorre uma concentração anormal de dopamina na fenda, superestimulando os receptores moleculares, fazendo a pessoa ter a sensação de euforia e poder. A alegria, entretanto, dura pouco. Os receptores ajustam-se às necessidades do sistema nervoso. Ao perceber que existem demasiados receptores na sinapse, eles são reduzidos. Assim, as sinapses tornam-se lentas, comprometendo as atividades cerebrais e corporais. A droga aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Há risco de convulsão, infarto e derrame. A droga é metabolizada no fígado e eliminada pela urina.

O crack diminui a fome, aumenta a atividade psicomotora e também altera o funcionamento dos centros límbicos do cérebro, responsáveis pela sensação de prazer. Os resultados imediatos são euforia, desinibição, agitação psicomotora, taquicardia, dilatação da pupila, aumento da pressão arterial e transpiração e, eventualmente, alucinações visuais ou táteis. São comuns as dores de cabeça, tonturas e desmaios.

A desintoxicação orgânica da droga é apenas uma parte muito pequena do processo de tratamento. O organismo consegue se livrar do crack em 72 horas. O maior problema é a dependência psicológica. Até que o usuário encontre seu ponto de equilíbrio, muitas recaídas ocorrem. O dependente necessita receber assistência psicológica e redefinir seus hábitos diários, pois para reorganizar a vida psíquica, que o uso da droga compromete, começa-se pelas pequenas coisas da vida prática.

O ser humano é um ser de necessidade. Nesta direção o comportamento humano é pautado pela satisfação dessas necessidades durante as fases do seu desenvolvimento. As necessidades humanas não são naturais, precisam ser criadas, inventadas pelo homem.

Considerando que nenhum comportamento humano é carente de justificativa, é tarefa dos estudiosos da Psicologia da motivação estudar os motivos, os instintos intrínsecos ao homem que o levam a agir, a se comportar de determinada maneira e não de outra. A teoria da motivação visa mapear os motivos humanos, tentando explicitar o comportamento observado numa forma de linguagem inteligível no campo real do homem, através da escrita. Como o ser humano possui tanto a capacidade de construir como a de destruir, é muito importante para ele entender um pouco os instintos que o levam a destruir, impedindo a continuidade do processo de construção de sua vida. Não há como conhecer todas as explicações possíveis, pois o homem pode sempre inventar uma nova explicação. No entanto, conhecendo-se cada vez mais elementos que explicam o comportamento humano, pode-se ter uma maior amplitude de possibilidades que ajudem o homem a conciliar seus
desejos internos com os limites que o meio externo lhe impõe, conciliando seus interesses sem desrespeitar os interesses dos demais seres humanos. Assim, o ser humano pode ter uma vida psíquica mais saudável, à medida que toma consciência de seus instintos inconscientes.

Ao construir sua teoria da motivação, Maslow baseou-se no espírito do seu tempo – Zeitgeist. O espírito do tempo de Maslow é o espírito que reina na sociedade moderna do século XX e XXI. É  o espírito que busca o progresso da ciência, quer explicar o extraordinário, quer saber sobre o futuro, não se conforma em não conseguir achar explicação para alguma coisa. Valoriza o novo e desconsidera o conhecido e habitual. Valoriza o futuro e desprestigia o passado, a tradição. Mas só se é possível partir para o extraordinário passando-se pelo ordinário. A tecnologia só tem valor humano se for utilizada para o bem da vida e da natureza. A vida é um dom que não pode ser explicado completamente. Os homens podem explanar seus comportamentos, porém não a vida. Maslow observou que para que as pessoas sintam a necessidade de preservar a vida e a qualidade de vida, melhorando suas condições, elas precisariam ter suas necessidades básicas satisfeitas, que são aquelas cuja falta causa doença, a sua presença evita doença e a sua restauração mantém a pessoa sadia física e mentalmente. As pessoas precisam estar bem alimentadas, ter uma moradia adequada, ser aceitas em seu habitat, sentirem-se amadas e úteis para que possam se auto-realizar e pensar em crescimento. A pessoa necessita ter bem-estar para que possa pensar no bem-estar das outras.

O ser humano possui uma capacidade de se comunicar exclusiva, que é a linguagem. Esta pode ser realizada no campo imaginário, no campo simbólico e no campo real. O ser humano possui necessidade de se comunicar com os demais através da linguagem à medida que está sempre tentando se superar. É um processo característico do homem e imprescindível à ética de viver bem, que visa preservar a vida e a qualidade de vida. Todavia isso só é possível quando as necessidades básicas fisiológicas, de segurança, de aceitação social, de auto-estima e de se sentir amado estiverem satisfeitas. Assim, as motivações para o crescimento e melhoria das condições de vida são essenciais ao desenvolvimento humano para que as pulsões de vida da humanidade não se deixem superar pelas pulsões de morte. Cada sujeito não pode pensar somente em seus interesses, desconsiderando radicalmente os interesses dos outros, porque querendo ou não cada um precisa das outras pessoas e o bem-estar futuro da humanidade depende que as pessoas aprendam a canalizar o amor para a vida e o ódio para o que for prejudicial à vida, pois todos possuem amor e ódio para oferecer.

Opinião:

Mas o que queria ressaltar com o texto e é a parte que mais me marcou da teoria de Maslow é a questão de que ,pra ter a motivação, as necessidades básicas precisam estar ao menos perto do nível satisfatório. Até pra que uma pulsão de morte motive o sujeito, que acho ser melhor que nenhumma motivação, pois a pusão de morte pode ser muito útil pra sobrevivência e principalmente pela luta por viver, além do sobreviver. É preciso a agressividade(como Lacan gostava mais dessa palavra q eu entendo como bem parecida com pulsão de morte) pra se livrar do que faz mal ao sujeito, nesse sentido é uma pulsão de morte direcionada pro que mata a vida(viajando).

Considerando não a minha condição privilegiada de sempre ter pelo menos comida, bebida, casa, cama, estudo(um mínimo) mas a condição da população tanto do país quanto do mundo, creio que bilhões não têm condições de pensar no que motiva ou não nem de viver de fato, ficando na triste luta do instinto natural de sobrevivência, respondendo com violencia de reflexo por não ter condição de pensar antes de agir, não ter estudo nutrição e uma história marcada de cenas violentas somente. Penso que mais ainda importante que saber o que motiva é ter condições humanas no sentido real desta palavra de ter motivação que não seja quase selvagem.

À medida que a história da civilização avança, as formas de dominação vão se transformando e se adaptando aos interesses e exigências de cada época. Mas o exercício de poder nunca deixou de existir. Desde suas origens, as relações sociais já possuíam contradições e conflitos de interesses.

A modernidade e o futuro próximo são caracterizados pela transição de uma forma de dominação designada disciplinar para a dominação de controle, na qual a diferença básica consiste na expansão do controle exercido sobre a população de sistemas fechados, como as escolas, hospitais, empresas para um controle mais sutil e abrangente exercido sobre a subjetividade, a interioridade de cada cidadção.

Na sociedade disciplinar, há uma supervalorização do trabalho, do esforço fatigante e da superprodução. A filosofia de vida do trabalhador é estar sempre se superando e produzir cada vez mais e melhor. Já a sociedade de controle privilegia a venda e a imagem dos produtos, valoriza a produtividade independente e se foi preciso um grande ou pequeno esforço para tal.

A empresa moderna percebeu que o domínio era mais eficiente a partir do incentivo às pessoas fazerem o que desejam e que também seria interessante para a empresa, pois os indivíduos são naturalmente ambiciosos e desejam ser produtivos, eficientes e, assim, aprovados pelos demais.

A sociedade moderna investe no potencial humano, na inovação, no trabalhador participativo, comunicativo e motivado a tomar iniciativas que lhe beneficiem e também à empresa e à venda de seus produtos.

A subjetividade tornou-se um objeto de estudo, investimento e fonte de novos problemas e doenças na sociedade, conforme os valores – que são subjetivos – e a autoridade – que representa os limites que cada cidadão não deve ultrapassar – tornam-se cada vez menos palpáveis e determinados e tudo começa a ser questionado. As opções de escolha das pessoas aumentam , assim como os conflitos e responsabilidades relativas ao livre-arbítrio.

As relações ficam mais complexas, os sexos quase se igualam quanto a direitos e deveres, não se sabe mais qual papel é de quem e, assim, surgem também as psicopatologias da modernidade, como a neurose da excelência, depressão, ansiedade, transtorno do pânico, bulimia, anorexia…

O corpo humano possui um valor como nunca teve antes. Contraditoriamente, também é objeto de agressão como nunca. A forma de dominação deixa de ser repressora e proibitiva e passa a ser incitadora dos instintos – da ética do dever para a ética do desejo, a mentalidade torna-se libertária, narcisista, competitiva ao extremo.

A importância da mídia é fundamental no exercício de poder contemporâneo. O sujeito é cercado por todos os lados por propagandas, informações que quer e que não quer e fica mais imperceptivelmente à mercê dessa « era da tecnologia », pois é preciso aderi-la para sobreviver na sociedade capitalista. Difícil é conseguir manter-se sujeito dono de si, com certo controle e consciência de seu tempo, espaço, de sua vida, sem se entregar de corpo e alma a todas as exigências da cultura.

O filme « O show de Truman » – show da vida no qual o diretor produz um show 24 horas, sendo o personagem principal alienado da verdadeira realidade de sua vida e submetido a viver a história que lhe foi imposta sem ter consciência de que sua vida é um palco de divertimento para o resto do mundo – é um bom exemplo desse controle sutil e bastante sedutor dos meios de comunicação. O diretor manipula a curiosidade dos espectadores, argumentando que Truman vive em um paraíso onde qualquer um gostaria de viver. No fim do filme, Truman descobre a farsa e chega à porta que delimita o mundo externo e o que o manteve trancado por todos os anos. É interessante notar que nessa hora o diretor diz que conhece Truman mais do que ele próprio e sabe que Truman está com medo e que não vai sair pela porta porque pertence àquele mundo. É aí que o personagem rompe a relação de controle e mostra que, apesar de sua vida ter sido analisada pelo diretor o tempo todo, ele é um sujeito com pensamento e idéias próprios e capaz de escolher o caminho que deseja seguir.

A sociedade atual vive, portanto, um período de mudanças e instabilidades, marcado por progressos notáveis assim como novos problemas. Cabe a cada sujeito não se deixar encaixar em rotulações ou perspectivas muito pessimistas ou muito otimistas e lutar para construir uma percepção real, porém não sem esperanças, da vida e poder aproveitar as oportunidades de prazer que lhe são oferecidas, sempre considerando a natureza e o contexto em que está inserido. (suite…)

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