juillet 2008


A criança, antes de possuir uma mínima aptidão para a leitura e escrita, já possui uma escritura em seu inconsciente. Esta referindo-se à inscrição de uma marca do impossível de se saber, quando ocorre o recalque primário e é formado o Aparelho Psíquico. Essa perda primordial, da possibilidade de se saber sobre tudo mostrará à criança o real da falta, a castração, o Outro é castrado. O que importa na formação de sua personalidade é o modo como ela vai encarar esse saber a menos, que, segundo Freud, gira em torno do mistério da morte e do sexo.

O caráter da criança constitui-se como o efeito de como esse sujeito experimenta a curiosidade sexual. Quanto mais indagações, melhor o prognóstico. Mesmo que nunca se vá obter respostas completas, é interessante e saudável o perguntar. Freud descobriu que a curiosidade sexual antecede a intelectual. Mas não pode ser satisfeita toda, gerando o fracasso das investigações infantis. A maneira da criança lidar com esse fracasso, aceitando-o ou recusando-o, influenciará em seu desejo subsequente de saber mais, de conhecer. Há, portanto, estreita relação entre saber, desejo e conhecimento. « As perguntas intermináveis das crianças são verdadeiros circunlóquios que vêm em substituição a uma pergunta que a criança nunca faz. »(Freud)

Inibição, sintoma e sublimação correspondem às vicissitudes que a pulsão toma frente ao fracasso nas investigações sexuais infantis.

Na inibição, o sujeito evita a angústia conscientemente não exercendo a função(no caso, a função intelectual). Há uma restrição da função. Evita-se novas formas de recalcamento. A criança mostra-se indiferente ao aprender, parece que não há desejo, não aprender não é problema para ela. O acesso ao desejo não ocorre sem angústia. Na inibição o sujeito evita angústia a todo custo, então parece não haver desejo. É uma defesa psíquica.

Já no sintoma, a função é exercida. A atividade intelectual existe, embora seja distorcida e não livre. Há o retorno do recalcado, que é incosciente. A função é erogeneizada inconscientemente. A representação emerge de forma distorcida através dos mecanismos de deslocamento e condensação pelo processo primário. O sintoma corresponde a um enigma, uma referência clara ao inconsciente. O conteúdo recalcado é associado à atividade intelectual emergindo como um sintoma – por exemplo a compulsão por pesquisa. Profissionais percebem, na clínica, que um sujeito com inibição quando começa a suportar certa angústia produz sintoma. Este é o mais fácil de ser trabalhado, pois já há certa aceitação de angústia, a qual é inevitável em qualquer aprendizagem.

A sublimação é a vicissitude mais saudável por não possuir qualidade neurótica. O sujeito apenas desvia a curiosidade sexual para outra curiosidade (intelectual, artística, atlética…). É a melhor saída para a pulsão.

O Desenvolvimento Organizacional baseia-se no gerenciamento micro, estratégias macro e sistema aberto. Flutuações aleatórias mudam o rumo das coisas. A empresa precisa estar aberta ao seu planejamento de médio e longo prazo, mas não pode desconsiderar tais flutuações.

A cultura organizacional, que é a coordenação das diferentes atividades, determina o clima geral na empresa. A do tipo mecânica foca-se no indivíduo, uma hierarquia rígida e rígida divisão do trabalho. A orgânica preza pela equipe, uma hierarquia flexível, independência e responsabilidades compartilhadas e negociações. Para que haja mudança na organização, é necessário o desenvolvimento de equipe e um projeto de sistema matricial.

Com a mudança, torna-se possível a amplição do cargo, que muda conforme o projeto a ser desenvolvido. O detalhamento dos cargos faz parte do perfil profissiográfico.

O D.O. possui como objetivos aumentar a confiança dos membros da equipe; confrontar posição, pessoal, usar o conflito(como fonte de produção) para o desenvolvimento em organização. Por exemplo: um bom gerente pode tornar um mau conflito em um bom conflito(um conflito produtivo). A autoridade é sustentada pela sua habilidade, seu conhecimento… Com a comunicação lateral(fofocas), a gerência tende a perder controle. O sistema matricial propicia o clareamento da comunicação lateral(diminuindo as fofocas, que são mecanismos neuróticos de angariar afeto, mostrar poder- que não têm – para denegrir a imagem de alguém; aparecem como demonstração do sentimento de inveja, projeção de inferioridade, baixa auto-estima e denuncia uma instituição imatura, fogueira de vaidades).

O D.O. também visa à motivação, satisfação, responsabilidades compartilhadas, à sinergia (proliferação de determinadas atitudes, potencialização de uma ação positiva). A idéia pra montar o D.O. melhora a interação entre os grupos, entre os membros; propicia clareza de sentimentos, uma visão sistêmica entre os indivíduos, equipes e organização.

Dicas de livros:
– « Entre o Cristal e a Fumaça », Henry Atlan
– « Do caos à inteligência artificial », epistemologia da ciência
– « Entre o buraco e o avestruz », Luis Davi Castiel
– « Moléculas, moléstias e metáforas », Luis Davi Castiel
– « A medida do possível – risco, saúde e tecnobiociência na pós-modernidade », Luis Davi Castiel