Estado de consciência é a disposição altamente desenvolvida que o ser humano possui, pela qual torna-se possível tomar, em relação ao mundo e aos estados interiores, subjetivos, aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração. Através da consciência, o homem toma conhecimento da sua própria atividade psíquica e é capaz de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados.

Em uma pessoa normal, os impulsos nervosos são convertidos em neurotransmissores, como a dopamina, e liberados nos espaços sinápticos. E uma vez passada a informação, a substância é recapturada. Na presença de algumas substâncias químicas, esse mecanismo encontra-se alterado.

O crack é uma droga, subproduto da cocaína, geralmente fumado em cachimbos de fabricação caseira, de uso simples e preço, no início, baixo. Possui um alto poder destruidor, seu efeito chega ao cérebro em oito segundos, vicia à primeira tragada, escraviza o seu usuário e o mata de forma fulminante.
A droga é queimada e sua fumaça aspirada passa pelos alvéolos pulmonares. Cai na circulação sanguínea e atinge o cérebro. No sistema nervoso central, o crack subverte o mecanismo natural de recaptação da substância dopamina nas fendas sinápticas. Bloqueado esse processo, ocorre uma concentração anormal de dopamina na fenda, superestimulando os receptores moleculares, fazendo a pessoa ter a sensação de euforia e poder. A alegria, entretanto, dura pouco. Os receptores ajustam-se às necessidades do sistema nervoso. Ao perceber que existem demasiados receptores na sinapse, eles são reduzidos. Assim, as sinapses tornam-se lentas, comprometendo as atividades cerebrais e corporais. A droga aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Há risco de convulsão, infarto e derrame. A droga é metabolizada no fígado e eliminada pela urina.

O crack diminui a fome, aumenta a atividade psicomotora e também altera o funcionamento dos centros límbicos do cérebro, responsáveis pela sensação de prazer. Os resultados imediatos são euforia, desinibição, agitação psicomotora, taquicardia, dilatação da pupila, aumento da pressão arterial e transpiração e, eventualmente, alucinações visuais ou táteis. São comuns as dores de cabeça, tonturas e desmaios.

A desintoxicação orgânica da droga é apenas uma parte muito pequena do processo de tratamento. O organismo consegue se livrar do crack em 72 horas. O maior problema é a dependência psicológica. Até que o usuário encontre seu ponto de equilíbrio, muitas recaídas ocorrem. O dependente necessita receber assistência psicológica e redefinir seus hábitos diários, pois para reorganizar a vida psíquica, que o uso da droga compromete, começa-se pelas pequenas coisas da vida prática.