Quando eu fazia terapia, um dia sonhei que havia dois eus. Estávamos no consultório, nós ‘três’. Contudo os dois eus eram diferentes. Tinham a mesma aparência, com personalidades dissemelhantes. Dividiam, assim, o divã. Um era frágil, ingênuo, medroso, alegre, infantil e continuou na sala conversando com a terapeuta. O outro era sério, maduro, melancólico, fumava e saiu do consultório, deixando lá o ‘eu’ pusilânime e infantil. O que saiu era mais decidido e corajoso. Contei o sonho para a psicóloga. Eu não fumava àquela época. Passaram alguns anos…


Agora possuo mais eus e todos fumam. São confusos e se sabotam. Acabei de ler "Filosofia Hoje". É um livro histórico em linguagem simples. Demonstra a trajetória do pensamento humano dominante desde a época da predominância do pensamento mágico-religioso até o positivismo moderno. Fala do liberalismo, do existencialismo, do personalismo… do surgimento da ciência, muito interessante.

Lembrei-me dessa história do cigarro, que até hoje me é intrigante, porque outro dia provoquei um mini-incêncio no quarto. Joguei um toco na lixeira cheia de papéis que fica um pouco atrás da cadeira. Comecei a sentir um pouco de dificuldade para respirar e até pensei: – Nossa, será que meu pulmão já está tão ruim desse jeito? Logo entrou minha mãe escancarando a porta com os olhos arregalados: – Fogo! Está pegando fogo! O cômodo ficou cinza. Mamãe levou a lixeira em chamas pro tanque e apagou tudo, esbaforida. Pensei que ela fosse ter um atague cardíaco. Bom, por hoje ficamos por aqui. Como a humanidade anda estressada!

Ah, quer uma moral pra história? Humm, simples: nunca jogue um cigarro semi-aceso num cesto de papéis ou talvez precisará acompanhar alguma pessoa mais velha ao hospital. Puxa, como fazem tempestade em copo d’água.