O ser humano é um ser de necessidade. Nesta direção o comportamento humano é pautado pela satisfação dessas necessidades durante as fases do seu desenvolvimento. As necessidades humanas não são naturais, precisam ser criadas, inventadas pelo homem.
Considerando que nenhum comportamento humano é carente de justificativa, é tarefa dos estudiosos da Psicologia da motivação estudar os motivos, os instintos intrínsecos ao homem que o levam a agir, a se comportar de determinada maneira e não de outra. A teoria da motivação visa mapear os motivos humanos, tentando explicitar o comportamento observado numa forma de linguagem inteligível no campo real do homem, através da escrita. Como o ser humano possui tanto a capacidade de construir como a de destruir, é muito importante para ele entender um pouco os instintos que o levam a destruir, impedindo a continuidade do processo de construção de sua vida. Não há como conhecer todas as explicações possíveis, pois o homem pode sempre inventar uma nova explicação. No entanto, conhecendo-se cada vez mais elementos que explicam o comportamento humano, pode-se ter uma maior amplitude de possibilidades que ajudem o homem a conciliar seus
desejos internos com os limites que o meio externo lhe impõe, conciliando seus interesses sem desrespeitar os interesses dos demais seres humanos. Assim, o ser humano pode ter uma vida psíquica mais saudável, à medida que toma consciência de seus instintos inconscientes.
Ao construir sua teoria da motivação, Maslow baseou-se no espírito do seu tempo – Zeitgeist. O espírito do tempo de Maslow é o espírito que reina na sociedade moderna do século XX e XXI. É o espírito que busca o progresso da ciência, quer explicar o extraordinário, quer saber sobre o futuro, não se conforma em não conseguir achar explicação para alguma coisa. Valoriza o novo e desconsidera o conhecido e habitual. Valoriza o futuro e desprestigia o passado, a tradição. Mas só se é possível partir para o extraordinário passando-se pelo ordinário. A tecnologia só tem valor humano se for utilizada para o bem da vida e da natureza. A vida é um dom que não pode ser explicado completamente. Os homens podem explanar seus comportamentos, porém não a vida. Maslow observou que para que as pessoas sintam a necessidade de preservar a vida e a qualidade de vida, melhorando suas condições, elas precisariam ter suas necessidades básicas satisfeitas, que são aquelas cuja falta causa doença, a sua presença evita doença e a sua restauração mantém a pessoa sadia física e mentalmente. As pessoas precisam estar bem alimentadas, ter uma moradia adequada, ser aceitas em seu habitat, sentirem-se amadas e úteis para que possam se auto-realizar e pensar em crescimento. A pessoa necessita ter bem-estar para que possa pensar no bem-estar das outras.
O ser humano possui uma capacidade de se comunicar exclusiva, que é a linguagem. Esta pode ser realizada no campo imaginário, no campo simbólico e no campo real. O ser humano possui necessidade de se comunicar com os demais através da linguagem à medida que está sempre tentando se superar. É um processo característico do homem e imprescindível à ética de viver bem, que visa preservar a vida e a qualidade de vida. Todavia isso só é possível quando as necessidades básicas fisiológicas, de segurança, de aceitação social, de auto-estima e de se sentir amado estiverem satisfeitas. Assim, as motivações para o crescimento e melhoria das condições de vida são essenciais ao desenvolvimento humano para que as pulsões de vida da humanidade não se deixem superar pelas pulsões de morte. Cada sujeito não pode pensar somente em seus interesses, desconsiderando radicalmente os interesses dos outros, porque querendo ou não cada um precisa das outras pessoas e o bem-estar futuro da humanidade depende que as pessoas aprendam a canalizar o amor para a vida e o ódio para o que for prejudicial à vida, pois todos possuem amor e ódio para oferecer.
Opinião:
Mas o que queria ressaltar com o texto e é a parte que mais me marcou da teoria de Maslow é a questão de que ,pra ter a motivação, as necessidades básicas precisam estar ao menos perto do nível satisfatório. Até pra que uma pulsão de morte motive o sujeito, que acho ser melhor que nenhumma motivação, pois a pusão de morte pode ser muito útil pra sobrevivência e principalmente pela luta por viver, além do sobreviver. É preciso a agressividade(como Lacan gostava mais dessa palavra q eu entendo como bem parecida com pulsão de morte) pra se livrar do que faz mal ao sujeito, nesse sentido é uma pulsão de morte direcionada pro que mata a vida(viajando).
Considerando não a minha condição privilegiada de sempre ter pelo menos comida, bebida, casa, cama, estudo(um mínimo) mas a condição da população tanto do país quanto do mundo, creio que bilhões não têm condições de pensar no que motiva ou não nem de viver de fato, ficando na triste luta do instinto natural de sobrevivência, respondendo com violencia de reflexo por não ter condição de pensar antes de agir, não ter estudo nutrição e uma história marcada de cenas violentas somente. Penso que mais ainda importante que saber o que motiva é ter condições humanas no sentido real desta palavra de ter motivação que não seja quase selvagem.

Abril 29, 2009 at 2:23 pm
A teoria de Maslow é interessante, mas também não é suficiente pra explicar o que leva o ser humano a motivar-se em ajudar o próximo. Se o ‘bem-estar’ fosse a mola propulsora desse tipo de atitude, Madre Teresa de Calcutá, por exemplo, que deixou bens e passou necessidades junto aos pobres, não seria a pessoa que fora. E os políticos em geral dariam excelentes altruístas… isso, claro, se ‘bem-estar’ significasse possuir tudo aquilo que possa satisfazer nossas necessidades. Coisa que o dinheiro sempre pode comprar.
Claro que, como você disse, o bem-estar não é apenas possuir bens. Há necessidade de auto-estima, sentir-se amado. Mas, ainda assim, o poder propiciado pela fortuna e pela fama sempre corrompe mais do que melhora, e torna a pessoa mais individualista e egoísta. Isso, é claro, sem querer generalizar… já que há bilionários como Bill Gates, que sempre torra fortunas em prol de fundações e entidades beneficentes.
Eu, realmente, continuo não sabendo o que motiva um ser humano a qualquer coisa. Sonhos? O que faz o homem sonhar?
Acho que eu seria um péssimo psicólogo, hehehehe
Abraços o/
Abril 29, 2009 at 2:26 pm
O homem contemporâneo é soterrado de necessidades, a maioria delas inventada pelo próprio homem. Necessidades essas que não cabem num dia de 24 horas. Abraços e sucesso com o blog!
Abril 29, 2009 at 2:54 pm
O espírito que Maslow tenta explicar em sua teoria é o mesmo do tão propalado “pós-moderno”, que recebe um sem-número de nomes por aí de diversos autores e teóricos.
No entanto essa motivação ocorre muitas vezes por circunstâncias de “instinto”, digamos assim. Ou seja, a pessoa precisa submeter-se a uma jornada de trabalho humilhante, por exemplo, para sobreviver. A motivação como conhecemos em jargões empresariais ou mesmo de escritores de auto-ajuda fica em segundo plano diante de uma necessidade.
O texto traz excelentes reflexões, assim como seu comentário. Muito bom.
abs!
Abril 29, 2009 at 3:19 pm
“A motivação como conhecemos em jargões empresariais ou mesmo de escritores de auto-ajuda fica em segundo plano diante de uma necessidade.”
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“A melhor maneira de melhorar o padrão de vida está em melhorar o padrão de pensamento.”
Abril 29, 2009 at 3:19 pm
Quase “O segredo”
Abril 29, 2009 at 4:25 pm
Coincidência, tava pensando em Maslow hj mesmo… mas não nessa escala, que eu inclusive acho legal, mas na opinião de o homem ser naturalmente benevolente. Não simpatizo muito com o humanismo não. rs
Vc diz que a linguagem é exclusiva do homem, isso não é verdade. Há várias formas de linguagem, e cada animal tem sua linguagem, seu modo de comunicar-se. A diferença é que o homem estrutura a linguagem, racionaliza, ordena. :]
http://www.poeses.blogspot.com
Abril 29, 2009 at 9:52 pm
Seguindo a linha, o ser humano continua solitário… E a hipotese de Maslow ainda carece de uma comprovação precisa… O que chama atenção, são os estados alterados da consciência na sua Psicologia Transpessoal.
Abraços
Everaldo Ygor
Maio 1, 2009 at 10:06 pm
Gostei bastanbte de ler sobre a motivação de forma diferente da quelemos em livros empresariais.
Se quiser retribuir a visita , fique à vontade…
Fazemos cinema amador
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Maio 17, 2009 at 3:41 pm
Parabens pela divulgação. É bom quando deixa tambem sua opinião, pois permite um melhor entendimento do texto. Bjs
Maio 20, 2009 at 11:54 pm
O homem é levado a motivação para constituir a sua vida,no qual a motivação vem de uma sociedade ou do próprio eu.
Junho 2, 2009 at 11:24 pm
olá,
Sou aluna do curso de recursos humanos, e estou pagando a disciplina fundamentos de gestão.Nos foi solicitado pela professora uma pesquisa sobre motivação,que iremos estudar durante toda essa unidade.
Como me endentifico muito com o assunto,pois adoro GENTE, ñ encontrei dificuldades na pesquisa,pois sou uma observadora do comportamento humano,a começar pelos os meus…..mas quando leio os artigos me vem a confimação,ou mais descobertas sobre o assunto.
é bom poder trocar idéias.
Obrigada e atá logo!!!
Binha.
Junho 30, 2009 at 5:11 pm
Realmente, em se tratando de motivação, estamos ainda no período pré-paradigmático de nossa ciência, a psicologia.
As definições conceituais sobre motivação são enormes, guardando equívocos intermináveis. Não há status de cientificidade sobre o termo!
É sabido que não se pode comparar o modo de funcionamento das necessidades fisiológicas (irrecorríveis!) com os motivos e valores sociais (de natureza relativa!).
A hierarquização proposta por muitos estudiosos, na verdade traduz um estudo sobre nossos valores, além de confundir com eventos de natureza nitidamente biológicos.
Vejam outra vertente, tão conhecida: a máxima “ninguém motiva ninguém” (um verdadeiro mantra!) é bastante insatisfatória, porque dificilmente o indivíduo, uma vez motivado, ficará imune às influências do meio externo.
Sucesso!
Angela Paes!