O narcisismo é da ordem do imaginário, do sem limites. O conceito de narcisismo introduzido por Freud tem uma conseqüência profunda: uma série de conceitos, tais como ego, defesa do ego, ideal do ego, “agente crítico observador”, etc., serão colocados em gravitação em torno da questão de narcisismo.O narcisismo primário é um processo normal, necessário, que ocorre num determinado momento do curso regular do desenvolvimento libidinal. Esse momento é situado por Freud entre o auto-erotismo e o amor objetal. Somente quando o ego se desenvolve, o indivíduo se torna narcisista. Esta primeira manifestação do narcisismo – denominada de narcisismo primário – é abandonada quando a criança, na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor, volta-se finalmente, para um objeto exterior, desenvolvendo o que se chama de amor objetal.
Compreende-se então, que o narcisismo primário esteja em oposição ao amor objetal, pois somente quando ele termina o sujeito encontra-se em posição de fazer escolhas objetais. Dessa maneira, a superação do narcisismo primário coincide com a realização do desenvolvimento psícossexual. Entretanto, mesmo após uma escolha objetal ter sido feita, o indivíduo pode retornar a um estado narcisista. Esta volta acidental ao narcisismo original, num momento da vida em que se suporia estar ele definitivamente abandonado, foi denominado narcisismo secundário. O estudo do narcisismo secundário e suas produções patalógicas correlatas levou Freud a examinar, de maneira mais precisa, mecanismo da escolha objetal. Ele distingue, então, dois tipos de escolha – anaclítica e a narcisista.
Para Freud, o amor objetal de tipo narcisista é mais característico do sexo feminino. O narcisismo, manifestando-se poderosamente, inflexiona a escolha objetal em direção ao tipo narcisista. Em síntese, o tipo narcisista procura no outro sua própria imagem, ao passo que o tipo anaclítico procura um parceiro do tipo narcisista que o faz gozar de um narcisismo a que ele mesmo já renunciou.

Janeiro 20, 2009 at 7:20 pm
O ego, mais precisamente a “egotite” (inflamação do ego) não teria consequências mais culturais do que naturais?
Janeiro 24, 2009 at 12:49 pm
Oi, Wihelm!
Vc tem razão, o ego inflado seria como o narcisismo secundário (mais ou menos) que, na teoria psicanalitica, manifesta-se diferentemente dependendo da estrutura(psicótica, neurótica ou perversa). Acho que vc se refere à neurótica, o mais comum e realmente as consequências são culturais, influem no meio onde ele vive, porém as causas não se pode dizer que são nem totalmente culturais nem totalmente naturais, aliás isso é uma polêmica até hoje sem comprovações. Penso que são concomitantes, o desenvolvimento natural ocorre junto com o cultural, não considere isso como uma verdade, apenas minha opinião. Ainda se discute muito e há muitas pesquisas e controversas em relação a esse assunto.
Grande abraço, importante sua pergunta, leva a uma reflexão indispensável na área psi.
beijos
Tania
Fevereiro 8, 2009 at 10:27 am
Olá, Tânia!
Eu não sou da área, mas penso que todos nós somos um pouco narcisistas, mesmo que de forma inconsciente. O problema é quando nossa parcela narcisista aflora demais e acaba provocando inconvenientes… precisamos aprender a nos conhecer melhor!
Abraços!
Fevereiro 17, 2009 at 8:46 pm
Oi Tânia ,
Ler teus escritos foi muito esclarecedor sobre a complexidade da teoria freudiana. Já Consegues ler os fenômenos do dia a dia humano pela lente da teoria.Correlações estas pouco comuns em escritores ou teóricos que se arriscam falar da alma humana. Parabens!
Gostaria de saber se já tens livros escritos e onde encontra-los.
Pergunta: A criança freudiana é uma ferida que ao ser aceita , tratada e compreendida pode nos levar ao significado da nossa exitência humana dentro de uma realidade cósmica?, isto é , pode nos levar a responder aqueles antigos questionamentos gregos:
Quem sou eu, de onde venho para onde vou ?
Obrigado
José
Fevereiro 20, 2009 at 1:34 pm
Viviane,
Obrigada pela visita e comentário. Sim, acho que todos somos narcisistas, sendo que quando essa parcela cresce de modo a desequilibrar as áreas de investimento de libido(energia) do sujeito, provavelmente causará mesmo incovenientes. O auto-conhecimento é fundamental pra poder perceber esses desnecessários incômodos q muito atrapalham a vida da pessoa.
beijos
Oi, José
Fico até sem graça com sua gentileza e elogios e agradeço a reflexão que trouxe, incluindo a psicanálise no conjunto de teorias que buscam entender nossa misteriosa mente. Achei legal que vc concatenou muito conhecimento cultural e sintetizou na sua pergunta. Tão interessante que preferi, antes de arriscar uma opinião só minha, compartilhá-lo com um grupo de debate sobre Psicanálise. Ótimo reflexão! Mas aqui, considerando a teoria psicanalítica, ela não tem como ser respondida porque o objetivo da Psicanálise é investigar as causas do qque move cada ação, elaboração, repetição, o que já é uma tarefa incomensurável, como bem disse a psicanalista carioca Denise Deschamps no grupo a que levei a pergunta. Freud gastou a vida inteira tentando entender como esses mecanismos funcionam e afetam os vínculos do sujeito. Penso que no existencialismo vc pode aprofundar mais nessa pergunta que todos fazemos sobre a existência e seus possíveis significados ou falta deles.
beijos e muito obrigada!
Tania
Março 1, 2009 at 2:56 pm
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Março 20, 2009 at 9:36 am
Gostava de encontrar mais informacao acerca de ,como resolver esta patologia e encontrar solucoes para suavizar o transtorno narcisco.Parece que existe demasiados dados para desccrever como essa doenca e infernal.Gostave de ver algumas solucoes,muito obrigado,paz e amor…
Março 30, 2009 at 11:48 am
otimo blog parabens…
Março 30, 2009 at 5:55 pm
Sem querer questionar a liberdade poética, ouso falar um pouco de técnica. Você optou por rimar a poesia, de modo que o primeiro e terceiro versos da última estrofe quebram toda a rima presente no restante, isso fica meio estranho, não fica bom, meio que quebra a poesia.
Abraços.
Maio 6, 2009 at 8:31 am
Olá, tenho um amigo que creio ser narcisista, até porque ele me revelou que certa pessoa o acusou de ser assim, e com o tempo eu fui me convencendo que ele é. É um amigo leal mas que está se tornando uma cara insuportavel para conviver. Um cara irracível, prepotente, soberbo e cheio de impáfia. Nãi admite ser desafiado em hipotese alguma. Sempre é o dono da razão (o que ele chama de defender suas posições). E tem uma preocupão excessiva em estar intelectualmente superior a todos e ser “um bom debatedo”. Está sempre lançando assuntos para descutir apenas para frustrar vc tendo uma opinião contrária e impondô-a. Parece que vc está sempre contestando ele, mas é ele que está sempre contestando você. Ele sempre foi um pouco vaidoso, mas não sei o que ele fez pra ficar assim. Quer sempre falar dificil,o máximo par não se fazer entender, as vezes até mesmo fazendo o uso errado da concordancia das palavras, e tirar conclusões que poderiam ser feitas com uma linha. Enfim, conversar com ele sem se chatear ou se aborrecer é muito dificil hoje em dia. É, ou já foi, um grande amigo, e não sei o que fazer hoje em dia.
Maio 6, 2009 at 8:48 am
Na verdade meu nome não é Alexandre, é André. Como eu falei acima, esse meu amigo ja tentei de tudo, até limitar minha conversa com ele apenas sobre filmes, deixei de contstar assuntos mais polemicos como politica, historia e filosofia (que ele acredita dominar). Mas volta e meia eu me esqueço e acabo respondendo alguma coisa que ele diz para não deixar falando ele sozinho, ou apenas porque acredito que é algo trivial para ele contestar e querer se impor, OU ATÉ MESMO PORQUE PENSO QUE ESTOU CONCORDANDO COM SUAS IDÉIAS PARA DESCOBRIR QUE ELE PENSA (OU DIZ) JUSTAMENTE O CONTRÁRIO. Em resumo, o cara ‘um amigo leal, mas é um chato. Faz questão de nivelar as pessoas por baixo (se você não for um filosofo ou embaixador do itamaraty), e, como desenvolve as ideias de forma vaga e complicada (vc não sabe o que ele quer dizer até o momento dele contestar vc), ou simplesmente muda de idéia, ou reafirma a idéia que foi sua. Isso faz eu me sentir ás vezes um idiota. Ou que ele quer me fazer sentir um idiota. Sei que falar assim parece inveja, mas não creio que seja, tenho amigos inteligentes que não se comportam dessa forma. No momento ele está desempregado, mas quando esteja num emprego bom, caramba, eu nem quero estar perto dele, porque aí sim penso que ele será nojento. Parece que sabe tem apenas dois tipos de comportamento. Empáfia, quando se sente dsafiado, ou parcimonia, quando ele elogia a nós pobres mortais que não ameaçamos seu ego. Sinto, mas não sei o que fazer. Agradeço qualquer opinião a respeito.
Maio 6, 2009 at 8:55 am
mentira, meu nome é Alexandre mesmo, eu não queria me identificar para o caso dele ler isto aqui, mas dane-se, duvido que algum dia ele pense em pesquiar sobre narcisismo, muiyo dificil alguem fazer uma auto-analise, prinipalmente alguem arrogante assim.
Agosto 27, 2009 at 1:25 pm
Olá André/Alexandre!!!!
Pequiso sobre o assunto é te dou um conselho, afaste-se dessa pessoa!!!URGENTE, acredite ele não é amigo de ninguem, tenho um blog sobre o assunto se quiser dar uma olhada fique a vontada!
vitimasdepsicopatasenarcisistas.blospot.com.
Um abraço
Leila
Novembro 27, 2009 at 5:38 am
Dizer para um amigo se afastar de outro porque o outro é narcisista é do campo da idiotice. Texto direto, preciso e agradável de se ler. Seria bom se fosse possível entender uma teoria tão complexa em tão poucas linhas, mas parabéns de qualquer forma.
Dezembro 15, 2009 at 9:21 pm
dentro do assunto narcisismo, gostaria de conhecer perguntas e respostas sobre psicopatologia. Meu ex não me deixa, me persegue, me ameaça, está em todos os lugares, na igreja, na praça, no mercado, no trabalho, na rua. Meus amigos e parentes se apaixonaram por ele e, portanto, vivo isolada com meus filhos, sem parentes e amigos. Preciso de orientação a fim de conseguir faze-lo parar de me perseguir. Obrigada.