A utilização do método catártico e hipnótico de Breuer logo trouxe problemas. Os tratamentos fracassavam devido ao fato de que a cura só durava até que a pessoa voltasse à sua consciência; e, além disso, muitos pacientes não conseguiam ser hipnotizados. Freud deduziu que se um fato tão significativo não podia emergir senão com muito esforço, era porque havia uma força que se opunha à sua percepção consciente. Freud chamou essa força de resistência, que só pôde ser descoberta e compreendida após o abandono da hipnose.

Quando era dada ao hipnotizado uma ordem que ele não podia cumprir, ele acordava abruptamente do transe, bastante incomodado, e tornava-se, em seguida, resistente a entrar em nova hipnose. Em síntese, se a hipnose era capaz de fazer surgir algumas pequenas atitudes que geralmente o paciente não as teria  quando sentindo-se ameaçado,  ele não só se recusava a cumprir as ordens como tornava-se particularmente resistente ao procedimento. Isso fez com que Freud abandonasse a técnica da hipnose.

A tarefa do médico seria, então, utilizar a hipnose como um bisturi. O método de penetrar o psiquismo e criar condições para que o trauma ressurgisse à consciência, fora do estado de ‘absence’, quando então poderia ser experienciado com toda a carga afetiva que não pôde ser vivida na hora traumática, ficou conhecido como o método catártico.  Freud, após um certo tempo, o abandonou.

O processo ocorre  mais ou menos assim: a homeostase, mantida pelo princípio de constância, evolui com o surgimento do princípio de Nirvana (que tende a exigir tensão zero) . A energia livre(afetiva) liga-se a alguma idéia ( representante ou conteúdo ideativo) – processo primário, o mais próximo do que depois perderá a característica de substantivo (O Inconsciente) e  aparecerá ligado a algum outro conteúdo aceito pelo sistema (com a característica de qualidade Inconsciente , Pré-Consciente ou Consciente) – processo secundário.

Uma força  mantia essa percepção de acontecimentos cuja dor o indivíduo não poderia suportar de imediato inconsciente ( a mente não sabe que sabe). Essa força foi  denominada recalque.

A descoberta da resistência e do recalque marcaram a ultrapassagem de um modelo estático do trauma para um modelo dinâmico, de jogo de forças.

Por motivos éticos e estéticos, o consciente não suportava a percepção de uma vivência e a mantinha  inconsciente. A resistência bloqueava essa percepção, índice inexplicável de que a mente sabia o que não queria saber.

Freud fez o que, cf. o "Vocabulário de psicanálise" Laplanche e Pontalis, chamou-se de “a viragem” do modelo psicanalítico. Os conceitos tópicos de consciente e incosciente cederam lugar a três  novos constructos, que constitui o modelo dinâmico da estruturação da personalidade: id, ego e superego.

Freud elaborou a primeira teoria das pulsões, que as dividia em as de auto-conservação e as sexuais. As pulsões de auto-conservação teriam como objetivo a preservação da vida do organismo. A ausência prolongada de sua satisfação seria letal. Essas pulsões se aliam ao princípio de realidade e são percebidas pelo pensamento consciente e racional. Já as pulsões sexuais teriam como objetivo a preservação da vida da espécie. A ausência prolongada de sua satisfação não seria letal. Essas pulsões se aliam ao princípio do prazer e são percebidas pelo pensamento inconsciente ou fantasia.

Essa teoria foi abandonada e surgiu a segunda teoria das pulsões, que as dividiu em: as pulsões de vida e as de morte. A pulsão de vida visa a preservação da vida do organismo e da espécie. Ela é conjuntiva e construtiva e preside à organização e diferença das formas. Outras de suas características são a heterogeneidade e a entropia negativa(morte térmica), manifestando-se como o amor, a solidariedade, generosidade e outras formas positivas.

Já a pulsão de morte visa a destruição da vida do organismo e da espécie. Ela é disjuntiva, destrutiva e preside à desorganização e dissolução das formas. Outras de suas características são a homogeneidade, a entropia positiva, manifestando-se como ódio, agressividade,  masoquismo,  sadismo,  culpa , fracasso…

A estrutura da personalidade é formada por quatro fases de desenvolvimento e um período de latência.

A fase oral corresponde à idade por volta de zero a dois anos e  é subdividida em fase oral de sucção – de zero a seis meses, e oral canibalística – de seis meses a um ano mais ou menos.

(continua…)

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